“O Espelho das Almas Simples”, de Marguerite Porete

Escrito por Marguerite Porete, “O Espelho das Almas Simples” resplandece entre os escritos místicos por sua autenticidade e figura como o mais antigo texto místico da literatura francesa. É um texto que resiste à perseguição inquisitória e que, após a morte da autora, ganha difusão internacional. Estruturado em diálogos, apresenta variados temas espirituais e religiosos, que buscam orientar e conduzir à perfeição da vida e ao estado de paz.

O simbolismo metafórico atravessa toda a obra, por exemplo, quando se afirma que a alma tem seis asas e quando é revelado que há sete estados que a alma deve passar para alcançar o estado perfeito.

Nesta obra, fala-se do estado que a alma alcançou dominada pelo amor. Este estado é o de ser uma alma liberada, isto é, totalmente livre, despojada de toda vontade e que não se importa com mais nada, pois está totalmente aniquilada de desejos internos ou externos e de todos os afetos. Assim, ela não tem mais vontade e por isso vive em perfeita paz, sem nenhuma inquietação. Esta alma passou pelo processo de ser transformada pelo Amor; ele a transformou nele. Essa entrega radical da alma está enraizada na profunda compreensão de seu nada e no esquecimento de si.

Deste modo, é apresentado um itinerário, através do qual a alma é elevada, ou seja, ascende ao cume da montanha onde só se pode ver a Deus, neste estado a linguagem entre Alma e Amor (Deus) é o silêncio.

Por fim, em o “O Espelho das Almas Simples” a linguagem e os termos merecem atenção, levando em consideração a época e o que querem, de fato, significar. Tal como, a alma ser prisioneira do amor, revela o estado de liberdade alcançado pela alma e seu forte amor por Deus. Assim, pode-se dizer que esta obra é um relato da experiência da alma, exposto em diálogos, marcadamente poético.


Leonardo Henrique Agostinho, MSC
Religioso da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração,

formado em Filosofia e estudante de Teologia, na PUC-SP.