O universo no peito - O encontro com a alma na imaginação ativa

Por: Redação

 

O livro “O universo no peito”, do autor Markus André Hediger, conta a história do encontro entre um tradutor e um autor já falecido e do impacto profundo que esse encontro teve sobre a vida do tradutor.

Quando Markus Hediger foi convidado a traduzir os “Livros Negros” do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, ele pouco sabia sobre a pessoa e a obra de seu compatriota. Por isso, aceitou o trabalho com relutância e somente após ser informado pela editora que ela estava procurando justamente um tradutor sem bagagem teórica. Nada, porém, poderia tê-lo preparado para o que o esperava. A tradução a partir da reprodução fotográfica dos cadernos originais de Jung, resultou em um diálogo intenso entre os cadernos, que contêm os registros minuciosos das “imaginações ativas” do médico, e o tradutor. 

A “imaginação ativa” é uma técnica desenvolvida por C. G. Jung para acessar conteúdos emergentes do inconsciente. Os registros dessas imaginações despertaram algo no tradutor que, há muito, estivera adormecido nele. Após concluir a tradução, Markus Hediger decidiu experimentar a técnica da “imaginação ativa” e, numa tarde durante a pandemia, deitou-se na cama e invocou a alma com as palavras de Jung: “Minha alma, onde estás? Tu me ouves?”.

Foi o início de uma experiência que virou a vida do tradutor ao avesso e de ponta-cabeça. 
Em “O universo no peito”, Markus Hediger relata suas experiências com a “imaginação ativa” desde aquela primeira tarde, faz reflexões sobre a importância do silêncio no diálogo com a alma, sobre o vazio que cada um de nós carrega no peito e uma espiritualidade profundamente pessoal que nasce justamente quando nos dispomos a encarar esse vazio.

Em seu livro, o autor e tradutor dedica muito espaço ao que ele chama de “poesia do inconsciente”, o potencial criativo que o acesso aos conteúdos do inconsciente libera. Ele defende que a imaginação ativa é apenas o primeiro passo, a “mineração”, por assim dizer, da matéria prima – um passo poderoso, sim, e necessário para estabelecer e cultivar o contato com a alma. Mas o que fazer com todo esse material?

O autor intercala cada capítulo do livro com um conto desenvolvido a partir de uma imaginação ativa – às vezes, uma expressão solta que ouviu durante uma meditação, outras vezes uma imagem, cujos significados ele explora, sempre atento à preservação da riqueza do símbolo desdobrado. É nesse processo criativo, em que a matéria-prima – muitas vezes informe e confusa ou ininteligível – é transformada em um “objeto” concreto no mundo, que ocorre cura. 

O livro termina com um passo a passo do método da “imaginação ativa” e algumas meditações desenvolvidas pelo autor. Através do relato de suas experiências pessoais com a “imaginação ativa”, Markus Hediger encoraja o leitor a partir em sua busca pessoal por um contato consciente e um relacionamento íntimo com a alma – não imitando seu exemplo, mas simplesmente ouvindo o chamado da alma, que clama por ser ouvida por cada um que carrega um vazio em seu peito e o convida a descobrir que esse vazio contém todo um universo.