História do jornalismo brasileiro - Do impresso ao digital
Por: Otávio Daros
O jornalismo manipula ou mais ajuda no esclarecimento dos eventos que noticia diariamente? A nossa imprensa é tradicionalmente de direita ou de esquerda? Ela é todo-poderosa ou hoje não está nem perto da influência que um dia já exerceu na opinião pública nacional? O jornalismo impresso vai acabar? A crise no setor é agravada pela internet e pelas plataformas de redes sociais, ou estas representam, na verdade, novas oportunidades para a reinvenção de uma profissão integrante da vida democrática?
O passado e o futuro do jornalismo suscitam uma infinidade de questões. Respostas pontuais e diferentes sobre o que passou e o que nos aguarda são dadas por especialistas em estudos de caso e por quem mais tenha uma opinião embasada ou não a compartilhar. Não faltam previsões catastróficas nem visões não menos acríticas que, por sua vez, tomam os tempos atuais como de progresso ininterrupto ditado pelas invenções tecnológicas.
O mérito da história é fornecer uma alternativa a esses pontos de vista dualistas, à medida que como disciplina se propõe a compreender a realidade que nos cerca de forma processual à luz do passado. Isto é, um convite para pensar os fenômenos não pelo “calor do momento”, mas com relativo distanciamento, mediante a observação de seu processo de formação; o que exige levar em conta suas origens, desenvolvimento e contradições, o conjunto de instituições e sujeitos inscritos em um contexto material em vez de abstrato.
Por exemplo, ao refletirmos sobre a crise da imprensa e a desprofissionalização do jornalismo, o presenteísmo conecta automaticamente esses problemas ao que está em voga, sob pena de soar desatualizado. Se “plataformização” é o termo da vez, é ali que se encontram, senão todas, as principais causas e efeitos. Pensar historicamente significa complexificar a discussão, inserindo as questões em um quadro formativo mais amplo, a fim de visualizar as dinâmicas e elementos pelos quais chegamos até aqui.
Nesse sentido, conviria questionar, para início de conversa, a partir de quando podemos falar na emergência de um jornalismo marcadamente profissional no Brasil. Antes disso, a imprensa e a atividade jornalística se caracterizavam como, e como tal caracterização se diferencia da situação atual vivenciada pelos profissionais da informação? O aparecimento primeiramente do rádio e depois da televisão como agiram sobre esse canário antes da internet?
Dividido em quatro capítulos, além de introdução e conclusão, o diferencial do livro História do jornalismo brasileiro: do impresso ao digital é, acredita seu autor, considerar o desenvolvimento do jornalismo brasileiro em perspectiva multimídia. Portanto, sem restringir o jornalismo ao suporte papel, como tenderam a fazer sínteses anteriores da história da imprensa, a despeito de seus inúmeros méritos de documentação e interpretação da vasta matéria.
Compreender o jornalismo como prática social que envolve, cada vez mais, diferentes meios e suportes abre novos horizontes para a escrita da sua história. E conhecer tal história, em sua riqueza de possibilidades, torna-se essencial para discutirmos de forma diversa e fundamentada o futuro do jornalismo no Brasil e no mundo. Que a leitura seja proveitosa!
Otávio Daros é pesquisador e docente colaborador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, instituição pela qual se doutorou com dupla titulação junto a Nottingham Trent University, da Inglaterra. Também atuou como pesquisador convidado das cátedras de História da Comunicação da Freie Universität Berlin e da Universität Bremen, ambas na Alemanha. Como jornalista profissional, trabalhou no portal de notícias G1 e na RBS TV, afiliada da Rede Globo em Porto Alegre. Seu último livro é História e conhecimento do Brasil, editado também em língua inglesa pela Routledge.
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