Título Destaque – O Milagre Espinosa


O Milagre Espinosa

Frédéric Lenoir

“As demonstrações são as janelas da mente.”

Baruch Espinosa aborda vários assuntos em sua filosofia. Porém, todos perpassarão a ética e, principalmente, Deus, visto que Este é o mesmo que a Natureza. Pois, nada pode existir fora Dele.

Frédéric Lenoir, através de um profundo mergulho na história e filosofia de Baruch Espinosa, apresenta o título destaque deste mês: O Milagre Espinosa. O livro fora escrito em duas partes: bibliográfica e filosófica. Na primeira, o autor traz a trajetória do filósofo e uma contextualização histórica da época que é retratada. Já a segunda parte aborda conceitos e ideias do holandês.

Durante a leitura, será possível reconhecer dados biográficos que fazem a diferença na vida de Espinosa. São eles que o construíram como pessoa e filósofo. Aos 13 anos de idade, Baruch começa a ajudar o pai em seus negócios e vai abandonando a escola judaica progressivamente. Quando completa 15 anos, Espinosa começa a demonstrar sua mente brilhante, solucionando dificuldades que os judeus mais inteligentes não conseguiam resolver. Nessa época, ele também se interessava sobre a imortalidade da alma, cujo tema o levaria a estudar e a procurar entender Deus.

A partir dos 18, desvia-se da religião judaica e começa a se interessar por filosofia. Cursou latim com o professor Franciscus Van Den Enden. Contudo, não aprende somente a língua, mas a filosofia clássica e outras ideias sobre temas variados. Os dois tornam-se bons amigos. Nesta etapa, Espinosa abandona a educação religiosa judaica, apresentada como dogmática, rigorosa e repressora, e apaixona-se pela busca livre da verdade e da felicidade. Para ele, a felicidade concreta assume a face concreta da alegria. Foi a filosofia que o ajudou a ver a verdade e o levou a fundamentar a sua vida e seu conhecimento na razão, influenciado pela filosofia de René Descartes, fundador do Racionalismo. Baruch bebe dessa água e se torna um dos nomes mais importantes da corrente.

No ano de 1656, foi realizada, na sinagoga de Amsterdã, uma cerimônia violenta e rara para a separação de Baruch da religião. Desde então, ele passou a fazer a filosofia mais livre, dizendo que Deus não era revelado e apenas existia filosoficamente. Criticou com muita força a religião judaica, o cristianismo (católicos e protestantes) e faz uma leitura crítica da bíblia.

Passa a viver inteiramente para a filosofia, não querendo nem se casar para ter um pensamento livre. Sua principal ambição era defender essa liberdade de pensar. Espinosa previne-se contra a acusação de ateísmo que seus antigos amigos fariam formulando ideias sobre Deus.

Deus de Espinosa

Para Baruch, Deus é a única substância de tudo que existe: cósmico, não é anterior ao mundo e nem é exterior, mas totalmente imanente; não tem qualidades ou feições humanas e muito menos intervém nos negócios do homem; não é antropomórfico, não cria nada e nem mesmo o mundo; é absolutamente infinito. É uma substância que consiste em uma infinitude de atributos que exprime sua essência eterna e infinita. Deus é o único que existe e age de acordo com a necessidade de sua natureza. Deus é a causa livre de toda a natureza. Todas as coisas estão em Deus e dependem Dele. Ele basta a Si mesmo; é autônomo, possui totalidade real e nada existe fora Dele. Tudo é em Deus e Deus está em tudo através de seus atributos. A filosofia de Espinosa centraliza-se na ideia de Deus, tudo perpassa por Ele, nada no mundo, nem mesmo as ações humanas estão afastadas de Deus, mas Nele mesmo.

Sobre o autor

Frédéric Lenoir é filósofo, sociólogo e especialista em história das religiões. Fez seu doutorado na École des Hautes études em ciências sociais, onde é pesquisador associado. É diretor do Monde des réligions. Como autor e coautor, escreveu mais de cinquenta obras (dentre as quais ensaios, romances, contos e enciclopédias), que venderam mais de 6 milhões de exemplares no mundo e foram traduzidas em mais de vinte idiomas.

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