Pesquisa em Psicologia e Humanidades


Por: Sabrina Martins Barroso (organizadora do livro)

O diferencial do livro é que ele aborda formas contemporâneas (redes sociais, arte) de coletar dados e analisá-los

A pesquisa científica faz parte da formação dos jovens profissionais, seja pelo conteúdo construído cientificamente que é levado para que estudem em seus cursos de graduação ou por sua participação ativa em projetos de pesquisa. Diferentemente de outras áreas, em que os modos de conduzir pesquisa são mais homogêneos, os cursos que compõem as Ciências Humanas e Sociais contam com uma grande gama de possibilidades de formas de fazer pesquisa científica. A Psicologia, em especial, utiliza amplamente essas possibilidades na produção de seus saberes, o que aumenta a necessidade de sistematizar os conhecimentos sobre como planejar e executar projetos de pesquisa nesse campo do conhecimento.

Ao buscarmos sobre os tipos de pesquisa mais realizados mundialmente em Psicologia, encontramos a predominância de estudos que adotaram métodos “clássicos”. Isso significa que foram feitos sob enfoque quantitativo, coletando informações com escalas ou testes psicológicos validados e os resultados foram interpretados teoricamente apenas quando mostravam significância estatística. Mas esse perfil não gera identificação para a maioria dos pesquisadores em Psicologia e humanidades no Brasil, pois, em nosso país, a maior parte dos estudos desses campos seguem o referencial “contemporâneo”, que adota métodos qualitativos para sua realização e focam na interpretação dos fenômenos como eventos sociais únicos e não generalizáveis. Por tal entendimento, adotam formas mais variadas de acesso às informações (por exemplo: coleta de dados com entrevistas, arte, técnicas vivenciais) e as interpretam analisando os discursos explícitos ou implícitos que apreendem.   

Pesquisa em Psicologia e Humanidades
Pesquisa em Psicologia e Humanidades

Diante de tantas formas de fazer pesquisa e de entender o que deveria ser feito, pode ser mais desafiador para os jovens pesquisadores saber como montar seus projetos de pesquisa e que referenciais buscar. O livro Pesquisa em Psicologia e Humanidades foi pensado com esse pano de fundo: ajudar a entender a riqueza de possibilidades existentes para pesquisar de forma competente, trazer informações sobre formas de pesquisa usadas frequentemente, cujo método é pouco ensinado nos cursos de graduação e pós-graduação no Brasil e fornecer caminhos práticos para jovens pesquisadores saberem como pensar e estruturar seus próprios projetos de pesquisa.

Pesquisa em Psicologia e Humanidades traz diversas orientações para escrita de um projeto e busca de um orientador

Logo nos primeiros capítulos o leitor vai encontrar propostas de como escolher temas para pesquisar e, se desejar formalizar o projeto, como buscar um professor orientador para acompanhá-lo. Além disso, há uma proposta de escrita de projeto de pesquisa, retomando item por item o que é esperado (introdução, justificativa, método, entre outros) e fornecendo instruções práticas de como escrever.

O livro segue trazendo um tema extremamente importante para pesquisadores em qualquer momento de vida: como obter financiamento para os projetos. Discutindo o cenário nacional sobre fontes de recursos e algumas possibilidades de buscar financiamento fora das agências de fomento federais (CAPES e CNPq) ou estaduais.

Os demais capítulos são destinados à formas variadas de coletar informações para pesquisa, incluindo as clássicas (entrevista realizada pessoalmente, escalas, testes) e as contemporâneas (entrevistas por telefone, online, por meio das artes, entre outras). Além disso, há capítulos discutindo como fazer a análise de dados adotando métodos estatísticos e adotando métodos qualitativos. Todos estruturados em linguagem simples e prática e contendo conselhos de profissionais que já trilharam um caminho sobre os temas, que alocamos na seção “O que eu gostaria de ter sabido antes”. Há, ainda, capítulos que abordam as peculiaridades de pesquisar com grupos de pessoas ou contextos específicos, como os bebês ou o contexto prisional.

Pela amplitude de temas e forma didática de abordá-los, acreditamos que esse pode ser um bom livro introdutório para jovens pesquisadores e uma referência sólida para quem já está há mais tempo no caminho da pesquisa em Psicologia e demais Ciências Humanas. Esperamos que os leitores pensem o mesmo, após conhecê-lo.

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Sabrina Martins Barroso é doutora em Saúde Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Psicologia pela UFMG. Especialista em Desenvolvimento Humano pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especialista em Avaliação Psicológica pelo Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais e psicóloga pela Universidade Federal de São João del-Rei. Professora-associada da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFTM (gestão 2018-2022) e líder do grupo de pesquisa NAPIS – Núcleo de Avaliação Psicológica e Investigações em Saúde. Parecerista ad hoc do SATEPSI e integrante do GT de Pesquisa em Avaliação Psicológica da ANPPEP. Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq – nível 2.