Sobre o autor


Anselm Grün

Biografia:

Autor de diversos livros como: Cadernos de espiritualidade, Admirar-se com os pequenos milagres de cada dia, O poder transformador dos sentimentos negativos, Desenvolver a autoestima, A redescoberta da existência, Não desperdice sua vida!, Viver não apenas nos fins de semana, Sabedoria do deserto, Viver pode ser simples, Viva com Alegria, Reconciliar-se com Deus, Oração e autoconhecimento, Abrace suas emoções, Amar é a única revolução, Valorização pessoal e profissional, A felicidade das pequenas coisas, Liturgia das horas e contemplação, Cuidar de si e do outro, Viver com saúde de corpo e alma, Pequena escola das emoções, Jesus para estressados, Trabalho e espiritualidade, Jesus como terapeuta, O poder do silêncio, Meu livro de orações, Felicidade – O que realmente importa, Céu começa em você, dentre outros.

Autor reconhecido no mundo inteiro por seus inúmeros livros publicados em mais de 28 línguas, o monge beneditino Anselm Grün, da Abadia de Münsterschwarzach (Alemanha), une a capacidade ímpar de falar de coisas profundas com simplicidade e expressar com palavras aquilo que as pessoas experimentam em seu coração. Procurado como palestrante e conselheiro na Alemanha e no estrangeiro, tornou-se ícone da espiritualidade e mestre do autoconhecimento em nossos dias. Tem dezenas de obras publicadas no Brasil.

Livros do Autor

Sobre o autor


Slavoj Žižek

Biografia:

Autor do livro: A atualidade do manifesto comunista.

Slavoj Žižek é filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Nascido na Eslovênia, é diretor internacional do Instituto de Humanidades do Birkbeck College, Londres, pesquisador do Instituto de Sociologia da Universidade Liubliana e professor visitante de universidades como Columbia, Princeton e Paris VIII. Colabora com diversas publicações e é autor de inúmeros livros, traduzidos para mais de 30 idiomas. Trabalha temas como filosofia continental, teoria política, estudos culturais, psicanálise, crítica de cinema, marxismo, hegelianismo e teologia.

Crítico do capitalismo, do liberalismo e do politicamente correto, Žižek chama a si mesmo de radical político, e sua obra tem sido caracterizada como crítica da ortodoxia da direita política e do social liberalismo universitário.

Em 2012, entrou para a lista dos Top 100 Global Thinkers e começou a ser chamado de “filósofo celebridade. O trabalho de Žižek foi narrado em um documentário de 2005 intitulado Zizek! Uma revista acadêmica. Também foi fundada a International Journal of Žižek Studies para desenvolver seu trabalho.

Segundo algumas publicações, é um dos poucos filósofos que conseguiu se tornar ícone ainda vivo dentro do mundo acadêmico e fora dele também.

(Créditos da imagem: Original photographer: Andy Miah , cropped by User:Michalis Famelis, CC BY-SA 2.0 , via Wikimedia Commons)

Livros do Autor

Sobre o autor


José D’ Assunção Barros

Biografia:

Autor dos livros: A Constituição da história como ciência, A Construção da teoria nas ciências humanas, A Construção social da cor, A Expansão da história, As Hipóteses nas ciências humanas, Cidade e História, A fonte histórica e seu lugar de produção, Fontes históricas, História comparada, História e pós-modernidade, História, Espaço, Geografia, Igualdade e diferença, Interdisciplinaridade na história e em outros campos do saber, O Campo da história, O Projeto de pesquisa em história, O Tempo dos historiadores, Os Conceitos, Papas, imperadores e hereges na Idade Média, Seis desafios para a historiografia do Novo Milênio, Teoria da história Vol. I, Teoria da história Vol. II, Teoria da história vol. III, Teoria da história vol. IV, Teoria da história Vol. V, Teoria e formação do historiador e O uso dos conceitos.

José D’Assunção Barros é historiador, escritor, músico e professor. É Professor-Associado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) – nos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em História – e Professor-Permanente do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui Doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Além da Graduação em História, possui Graduação em Música, ambas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preside o LAPETHI – Laboratório de Pesquisas em Teoria da História e Interdisciplinaridades. Publicou 38 livros e cerca de 200 artigos, 40 dos quais em revistas internacionais, em países diversos como Portugal, Espanha, Itália, Dinamarca, Canadá, México, Chile e Colômbia. Entre suas obras publicadas, Cidade e História (2007) e O Campo da História (2004) foram traduzidos e publicados no exterior. Suas áreas principais de atuação relacionam-se aos campos da Teoria da História, Historiografia, História das Artes (Música, Cinema, Teatro, Artes Visuais e Literatura) e Estudos sobre Desigualdades e Diferenças Sociais. / É também autor de obras de literatura, entre as quais o livro de contos O Avesso do Pau-de-arara (Ed. Achiamé, 1988) e o Romance Desacordados (Amazon, 2012), além de contos e poemas em revistas diversas que podem ser encontradas na web.

Entre algumas das suas contribuições mais relevantes para as ciências humanas estão as aplicações derivadas de uma abordagem que o autor chama de ‘interdisciplinaridades cruzadas’. Tal como o autor as define em seu livro Interdisciplinaridades (2019), as interdisciplinaridades cruzadas se referem à possibilidade de enxergar e modificar certo campo de saber a partir de outro. Seria possível, por exemplo, enxergar musicalmente a História, pensar antropologicamente a Física, abordar geograficamente a Linguística – ou quaisquer outras combinações possíveis entre dois ou mais campos de saber. Em decorrência de sua dupla formação – História e Música – o autor tem investido precisamente na possibilidade de entrecruzar estes dois campos de diversas maneiras. Contribuições importantes do autor se relacionam, ainda, ao campo da História Comparada, sendo ele o primeiro autor brasileiro a escrever um livro integral sobre esta modalidade historiográfica. Por fim, outra contribuição socialmente relevante está nos estudos do autor sobre as Desigualdades e Diferenças – especialmente Igualdade e Diferença (2016) e A Construção Social da Cor (2009) – obras nas quais procurou elaborar uma teoria que esclareça as muitas maneiras conforme as quais as diferenças podem se converter em desigualdades, e vice-versa. O currículo completo do autor pode ser examinado em http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4775874Y6.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva que fizemos com o autor!

– Como e quando surgiu a ideia de escrever seu primeiro livro, e qual foi?

Meu primeiro livro publicado pela Editora Vozes, em 2004, foi O Campo da História. O livro trata das diversas modalidades historiográficas em que se divide a História como campo de saber (História Cultural, História Política. Micro-História, História Comparada, e assim por diante). Mas a obra não se limita a inventariar e descrever esses diversos campos internos à disciplina História, como ocorre em algumas coletâneas sobre o assunto. A obra desenvolve uma teoria sobre a organização da História nestes vários campos, mostrando que há pelo menos três critérios que presidem à formação desta modalidades historiográficas. Há em primeiro lugar os campos que são formados por aquilo que o historiador enxerga em primeiro plano ao examinar uma sociedade ou processo histórico – e que eu chamei de dimensões (o estudo da Cultura gera a ‘História Cultural’; o estudo do Poder gera a ‘História Política’, e assim por diante). Em segundo lugar, há um grupo de campos históricos que se refere a metodologias. A História Oral, por exemplo, trabalha com entrevistas; a História Comparada, compara dois recortes de tempo-espaço; a História Serial analisa série de documentos. Por fim, há um terceiro critério que se refere às temáticas de estudo, e são de número indefinido (História do Livro; História das Mulheres; História das Cidades; História da Arte; História do Direito, e assim por diante. Ocorre que existiam coletâneas, geralmente escritas por vários autores, que inventariavam e falavam sobre diferentes modalidades historiográficas, mas sempre agrupadas aleatoriamente. Não havia, ainda, um livro que se propusesse a esclarecer porque e como as diferentes modalidades historiográficas se formam, e que agrupasse os diferentes campos em categorias bem definidas. Essa foi a tarefa do livro O Campo da História. Porque percebi que havia esta lacuna na historiografia é que escrevi a obra. E tanto ela preencheu uma lacuna, que até hoje, ano a ano, são renovadas novas edições deste livro.

– Onde busca inspiração para os temas de seus livros?

Sou professor de História em cursos de Graduação e Pós-Graduação, e também trabalho com uma perspectiva Interdisciplinar, que também me leva a estudar outras áreas. Muitos dos temas dos meus livros surgem da minha percepção de que eles são necessários para a formação de historiadores e de outros estudiosos das ciências humanas. Assim, por exemplo, meu segundo livro publicado pela Editora Vozes foi foi ‘O Projeto de Pesquisa em História’ (2005), um livro que se mostrava necessários aos alunos de graduação que precisavam planejar suas monografias de final de curso, e aos pesquisadores de pós-graduação que precisavam escrever projetos. O livro ‘Fontes Históricas’ (2019), por exemplo, surgiu da percepção de que era necessário um livro que esclarecesse – em uma linguagem simples, mas que não perdesse a complexidade e a profundidade – o que são as fontes históricas do ponto de vista do historiador, e quais os diferentes tipos de fontes históricas que este pode abordar. Ou seja, alguns dos temas de meus livros surgem de necessidades práticas no interior de uma certa disciplina científica, como a História. Mas há também os que surgem da exploração interdisciplinar. Por exemplo, em livros como ‘O uso dos Conceitos – uma abordagem interdisciplinar’ (2021), ou ‘História, Espaço, Geografia’ (2015), eu invisto em proposições bastante criativas em termos de tentar compreender um campo de saber a partir de outro. Chamo a isto de “interdisciplinaridades cruzadas”. No livro “O Uso dos Conceitos”, por exemplo, eu comecei a me perguntar se certos conceitos típicos da Música – como “acorde”, “polifonia”, “harmonia”, “dissonâncias” – não poderiam ajudar a pensar de uma nova maneira a Teoria nas mais diversas disciplinas. Ou seja, comecei a me perguntar se poderíamos estender um olhar musical para campos como a História, Antropologia, Física, Biologia. Os cruzamentos interdisciplinares também me inspiram muitos temas importantes para meus livros.

– Qual livro está lendo agora?

Eu tenho me interessado muito em expandir meus horizontes de estudo e de reflexão, para além da minha formação como historiador (ou como músico, pois esta é uma segunda formação minha). Acredito que devemos ultrapassar os limites da hiperespecialização em um único campo de saber; e que – mesmo que tenhamos uma disciplina específica de atuação – precisemos nos aproximar dos demais saberes em um nível mais humanista de conhecimento geral. Recentemente, tenho me interessado em compreender questões da Física e da Biologia: qual a origem do universo, qual a origem da vida, qual a origem da consciência? Estou lendo neste momento, para entender melhor as teorias mais modernas sobre o Universo em que vivemos, o livro ‘O Universo Elegante’, de Brian Greene. Mas também estou lendo sempre obras de literatura, o que considero fundamental. Tenho percorrido a obra literária de Dostoievski, por exemplo.

– Já tem um tema para um próximo livro??

Estou organizando dois livros que em alguns meses serão publicados pela Editora Vozes. Eles contam com textos meus, mas também de outros autores. Um é “História Digital” – um livro que vai discutir a inserção da História e dos historiadores neste nosso mundo repleto de novas possibilidades tecnológicas; o outro chama-se “A Historiografia como Fonte Histórica”, e desenvolve a consciência de que os próprios textos produzidos pelos historiadores, em uma certa época – e independente dos tempos históricos que estes historiadores estudam – podem ser também tratados como fontes históricas para compreender as demandas da própria época em que o historiador escreveu o livro. Por exemplo, um livro sobre o Antigo Egito escrito no século XIX, além de sua intenção de discorrer sobre o Egito, termina por falar do próprio século XIX. Os livros que os historiadores de hoje estão escrevendo sobre épocas diversas, da mesma forma, revelam demandas, anseios e perspectivas de nosso mundo atual. Esta percepção de que a própria obra dos historiadores não escapa do ciclo da história – fazendo com que a História se apresente como um instigante jogo de espelhos – é o tema desta obra que brevemente será publicada. Com relação ao meu próximo livro de autoria integral, estou pensando em escrever sobre as diversas relações entre ‘História e Música’ – mostrando como esta pode se tornar objeto para estudo dos historiadores, fonte histórica, meio de representação para a História, ou, por fim, inspiração interdisciplinar para a própria História. Estas são quatro relações bem diferentes, cada qual com suas próprias implicações.

– Você tem vários livros publicados conosco. Sei que é uma pergunta difícil de responder, mas tem algum que é o seu preferido?

O primeiro livro publicado por um autor em uma editora sempre traz a ele um sentimento especial, pois frequentemente foi o livro que abriu a sua carreira autoral. Neste sentido, ‘O Campo da História’ (2004) – meu primeiro livro na Editora Vozes – sempre terá um significado especial para mim. Mas o último livro que publiquei, em cada momento, também acaba ocupando um lugar especial. Neste momento, meu último livro – o “caçula” entre todos os seus irmãos – é ‘O Uso dos Conceitos – uma abordagem interdisciplinar’. Trata-se de um livro dedicado a todos os campos de saber: da História e demais ciências humanas às ciências da natureza, como a Biologia e a Física. Escrever este livro me obrigou a expandir meus horizontes, e por isso tenho uma especial afeição por esta obra. Mas é claro que, quando eu escrever a minha próxima obra, ela se tornará a minha paixão mais recente.

– Poderia indicar para os leitores um livro que marcou sua vida e que vale muito a pena a leitura?

São muitos os livros que eu poderia citar, e em campos diversos. Mas eu posso lembrar a obra “Assim Falou Zaratustra”, de Nietzsche – um livro que nos leva a refletir sobre muitas questões. / São muito importantes para mim, também, as obras de literatura: autores brasileiros, como Lima Barreto e Machado de Assis, e internacionais, como Gabriel Garcia Marques, José Saramago e Dostoievski – sem esquecer os poetas, como Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa. / Por fim, os livros de autores que nos podem levar a desenvolver uma maior consciência sobre o mundo social no qual vivemos são fundamentais, como algumas das obras de Marx e Engels, sem esquecer as obras de autores anarquistas como Kropotkin, tal como o clássico “A Conquista do Pão”. Me marcaram também algumas das obras de Ouspensky – como a “Psicologia da Evolução Possível do Homem”. Elas nos levam a nos perguntar se estamos realmente conscientes neste mundo em que vivemos, ou se a ampla maioria das pessoas não estaria mergulhada em um sono profundo, agindo mecanicamente e de forma praticamente inconsciente.

Livros do Autor

Sobre o autor


Welder Lancieri Manchini

Biografia:

Autor dos livros: Perseverando com Jesus e Catequese e internet. E coautor de Escolhendo Jesus – Jovens cristãos para uma nova sociedade.

Welder Lancieri Marchini é editor da área de Teologia e Espiritualidade da Editora Vozes. É professor do curso de pós-graduação “Religião e Cultura”, no Centro Universitário Assunção (UNIFAI), em SP e do curso de pós-graduação em Missiologia (FAJOPA -Marília -SP). Presta assessoria na área catequética e coordena a graduação em Teologia na USF – Universidade São Francisco.

Conheça mais sobre o autor na entrevista exclusiva que fizemos com ele. Confira abaixo!

– Onde busca inspiração para os temas de seus livros?
Um teólogo pastoralista precisa estar atento àquilo que acontece. Isso porque o modo como vivemos, o modo como nos locomovemos, fazemos compras, o fato de termos emprego ou estarmos desempregados, tudo isso influencia muito na maneira como a pessoa se relaciona com a Igreja. Só para dar um exemplo. Eu me sentei na frente de um computador pela primeira vez quando tinha 15 anos. E esse computador não era conectado na internet. Na verdade, a internet era algo muito distante da vida cotidiana. Hoje as crianças não acessam a internet. Às vezes parece que elas nascem já conectadas. Fazemos tudo pela internet, compras, consultas, nos relacionamos pela internet. Seria um equívoco pensar que toda essa realidade não chega à pastoral.
Por isso, estar atento à realidade é muito importante e os livros são fruto desse olhar para a realidade. Nos meus livros trato sobretudo da realidade paroquial. Mas o olhar sempre está voltado à pastoral paroquial, à catequese, à pastoral juvenil, que entendo que são os elementos mais sensíveis da pastoral paroquial. Também trato da questão urbana. Esse foi meu estudo de mestrado. Mas todos esses assuntos estão à nossa volta. Quando vamos comprar um pão no mercado e não sabemos o nome de quem nos atende, ou quando nem precisamos ir ao mercado pois podemos pedir o pão por aplicativo, temos aí o tema para pensar a pastoral da Igreja, pois não somos desconectados do mundo onde vivemos. Os temas surgem de um olhar atento que olha para a realidade e pensa: como podemos ser cristão nesse mundo?
– Qual livro está lendo agora?
Estou lendo dois livros. Um é Torto arado, de Itamar Vieira Junior. É um autor brasileiro que traz uma história repleta de elementos também brasileiros. É muito bom vermos como a literatura tem essa capacidade de nos conectar com a nossa cultura.
O outro é Sociedade paliativa, de Byung-Chul Han. É um filósofo coreano que vive na Alemanha e traz algumas reflexões muito interessantes e que nos ajudam a entender o mundo atual.
– Já tem um tema para um próximo livro??
Sim, estou escrevendo. Trata-se de um livro mais teórico, sobre teologia decolonial. É uma linha teológica relativamente nova, que está se construindo, se articulando, que busca entender a religião e o modo de ser cristão em um diálogo com as culturas locais. Afinal, nós não somos cristãos na lua e, no nosso caso em específico, nem na Antártida, nem no Vaticano. Então somos chamados a ser cristãos na nossa idade, no nosso contexto, dialogando com as questões que batem à nossa porta. Mas o projeto ainda está bem no início, nos primeiros rascunhos.

– Sobre seu novo livro, “Catequese e internet”, que será lançado em outubro, como surgiu a ideia de escrevê-lo?
Esse livro tem uma história curiosa. Em 2012 eu cursava a faculdade de teologia e tive a ideia de escrever um livro sobre catequese e internet. Mas a ideia não vingou, não foi pra frente. Eu guardei aquele arquivo no computador, mas acabei desistindo da ideia. Quando veio a pandemia eu comecei a acompanhar alguns cursos de catequistas e vi que havia uma dificuldade muito grande de pensar a catequese e sua relação com a internet. A primeira dificuldade era de entender a própria internet. Mas também haviam barreiras apresentadas. Alguns catequistas mostravam temer a internet, como se ela fosse acabar com a catequese. Então eu achei que era hora se retomar o projeto, e quando eu fui ver aquilo que eu havia escrito eu pensei: “ainda bem que não vingou!”. Pois, sinceramente, não estava bom. Foi então que eu conversei com o Pe. Thiago Faccini, um grande amigo com quem discuto muitas questões relacionadas à catequese e ele aceitou o desafio de escrevermos juntos. O produto final é muito diferente do projeto lá de 2012. Tem muita contribuição do Pe. Thiago e eu mesmo mudei de ideia em relação a várias coisas. Nesse meio tempo também a catequese mudou muito. As reflexões sobre os processos catequéticos estão mais maduras e nós buscamos trazer tudo isso para o livro. Agora sim, o resultado final me agradou.
– Qual o maior desafio que a Catequese enfrenta com o crescimento cada vez maior da internet e o aumento da interação virtual em detrimento da interação olho no olho?
É importante pensar que o ser humano gosta do olho no olho. Nós nunca vamos perder isso. Nós somos pessoas que gostam do cheiro, do sabor, do abraço. Tudo bem que com a pandemia e com as máscaras os cheiros estão mais distantes e os abraços quase não existem. Mas o ser humano, e sobretudo o brasileiro, gosta desse encontro mais próximo.
Eu sou de São Paulo. Nasci na Grande São Paulo. Mas fui criado em Pirassununga, uma cidade pequena do interior de São Paulo. Morei lá até meus 15 anos. Então foi lá que eu participei da comunidade, foi lá que eu fui catequizando. Hoje, quando vou para a casa da minha família, vejo que a cidade está muito diferente. Tem muita gente que eu não conheço, mas é muito gostoso lembrar de cada pessoa com quem eu convivia. Mas o mais interessante é que muitas dessas pessoas têm contato comigo pelas redes sociais. Nem sempre eu consigo conversar com elas, mas quando vejo que elas postam algo na rede social, é como se eu estivesse lá, convivendo com elas. E quando a gente curte algo, é como se a gente estivesse falando um oi. No fundo a internet possibilitou que a gente continue tendo contato com as pessoas.
Com a catequese não é diferente. A internet tem a capacidade de nos conectar para além do encontro de catequese. Mas a relação entre catequista e catequizando, a relação com as famílias, com a comunidade cristã e a relação entre os próprios catequizandos vai continuar acontecendo. É lá que aprendemos a ser cristão. A internet apenas facilita nossa conversa.
– Poderia indicar para os leitores um livro que marcou sua vida e que vale muito a pena a leitura?
Vou indicar dois. Sou péssimo eu ter uma coisa preferida. Geralmente tenho várias. Então vou indicar um de literatura e um de teologia. O de literatura é Todos os nomes, de José Saramago. Acho que foi o primeiro livro de literatura que eu li, ainda na minha adolescência, e realmente gostei. Conta a história de uma pessoa que se encanta por documentos antigos. Um dia ele decide ir atrás de um dos nomes que encontra em um determinado documento. É uma história simples, mas que a gente fica curioso pra saber o que ele vai fazer, se vai encontrar ou não as pessoas.
O outro é um livro de espiritualidade. Eu trabalho como editor de teologia aqui na Vozes. O editor é aquele que busca livros para serem publicados. Trabalho nessa função desde 2017 e gosto muito daquilo que faço. A gente sente um carinho especial por cada livro, sobretudo os de autores nacionais, pois sabemos o quanto cada autor se dedica na hora de escrever sua obra. Mas tem alguns livros que a gente pensa: “Meu Deus, como eu gostaria de ter escrito isso!”. E é muito legal fazer parte desse processo de garimpo, de trazer uma obra e ver que ela se transforma em livro na estante. Nesse processo, a obra A chegada de um Deus selvagem me encantou muito. A obra é escrita por Jaime Tatay, um jesuíta espanhol. E na obra ele diz que Deus é como um lobo selvagem que chega de mansinho, sem a gente perceber, mas quando chega muda todo o ambiente à sua volta. É um livro de espiritualidade que traz uma linguagem muito boa, apresentando um cristianismo vivencial, que aproxima as pessoas de si mesmas, mas também dos outros.

Livros do Autor

Sobre o autor


Leonardo Boff

Biografia:

Autor dos livros: Como fazer teologia da libertação, Sustentabilidade: o que é – o que não é, Os Sacramentos da vida e a vida dos sacramentos, Paixão de Cristo, paixão do mundo, Graça e experiência humana, São Francisco de Assis, A Ave Maria, A vida para além da morte, O destino do homem e do mundo, O Pai-nosso, Jesus Cristo Libertador, A santíssima Trindade é a melhor comunidade, Rosto materno de Deus, A nossa ressurreição na morte, A águia e a galinha, Terapeutas do deserto, O despertar da águia, Teologia do cativeiro e da libertação, O caminhar da Igreja com os oprimidos, Saber cuidar, A Trindade e a sociedade, Princípio de compaixão e cuidado, Natal, Crise, A cruz nossa de cada dia, Via-sacra, São José, Experimentar Deus, Ética e ecoespiritualidade, Ética e moral, Virtudes para um outro mundo possível – Volumes I, II e III, Oração de São Francisco, O Senhor é meu pastor, Tempo de transcendência, Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz, Meditação da luz, Mística e espiritualidade, O Tao da Libertação, Cristianismo, Jesus Cristo Libertador, O cuidado necessário, O Espírito santo, Há esperança para a criação ameaçada?, A Grande Transformação, Ecologia, Cartas de esperança em tempos de ditadura, A Terra na Palma da Mão, Felicidade foi-se embora?, Imitação de Cristo e seguimento de Jesus, Ética e espiritualidade, O Divino em nós e Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência?.

Leonardo Boff (1938) foi por mais de 20 anos professor de Teologia Sistemática no Instituto Franciscano de Petrópolis e posteriormente professor de Ética, Filosofia da Religião e de Ecologia Filosófica na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Também foi professor – visitante em várias universidades estrangeiras. Por muitos anos coordenou as publicações da Editora Vozes, especialmente a obra completa de C.G. Jung. É membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, da qual é um dos corredatores. Em 2002 foi galardoado pelo Parlamento Sueco com o Prêmio Nobel Alternativo da Paz, por associar ecologia com justiça social e espiritualidade. Já escreveu mais de cem livros, em sua maioria publicados pela Editora Vozes.

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